sábado, 31 de março de 2012

(EU)...em fragmentos



Na corrida  do dia
chega  por fim a tranquilidade na noite…
Parto-me e reparto-me ,
desfaço-me e contrafaço-me
e não me vês aqui.
Estou desfeita em estilhaços
Atirada contra uma parede
Que não se inclinou ao meu desgosto
Fragmentos de vidas
Que não foram escolhidas
Vidas mal divididas.
Encosto-me na minha própria sombra
Vergo-me à penitência que me infliges
Suplico-te compaixão,
Olhas-me e dizes-me  apenas…
não!
Trespassam-me os teus olhos de lado a lado
Perturba-me essa distância
Esse gelo,
Será  que vives no polo norte
Meu esquimó
De quem não tenho dó
(EU)
31-03-2012
00.35h

quarta-feira, 28 de março de 2012

E...solta-se a palavra.

Sempre que as palavras me visitam....
é como se um sol muito forte me envolvesse
enrolando-me
deixando-me numa letargia incompreensível ,
difícil de entender...
libertação pelas palavras ...
que dói...machuca........
que expõe......maltrata...
abusa de nós
e no abuso faz de cada silaba um abusado uso...
dos sentidos da alma envolvidos em segredos ditos em silêncio...
apenas...em silêncios...
silêncios como estrondosos relâmpagos
seguidos de raios
rasgam-me a alma
como se recortassem no céu
grandes trovoadas carregadas de energia dolorosa e dormente a dois tempos...
lava vulcânica...
que me escorre nas veias me tolda o olhar,
me quebra os sentidos
não tidos ,não (con)sentidos…
envoltos em cinzas...
que voam de um sopro inadvertidamente
por aí...
foi obra de um momento ,
momentos em mim...
por aí…
Soltam-se as palavras...
solto-me eu também.
(EU)
28-03-2012
23.00h

terça-feira, 27 de março de 2012

Pensamentos em sonho

Deito-me  a teu lado
Em nuvens de  flocos de algodão
Aconchego-me sob o teu abraço
no calor que me aquece,
espreito o teu olhar carinhoso
que me sorri, guloso(ansioso)
deixo-me guiar pela tua mão
suave e forte…
és o meu chão.
Adormeço no teu pensamento ,e…
assim fico por um momento,
Em ti
em mim
em nós….
Mais uma vez…
Deixas-me em ti recomeçar,
todas as minhas desistências.
No ponto de partida
onde nunca estive.
Ficar pelo meio em tudo
chegar a mim ,chegando a ti…
Adormecer no meu pensamento…
(EU)
27-03-2012
21.30h

segunda-feira, 26 de março de 2012

Banquete de amor


Arranco o bater do teu coração e colo-o ao meu ,
junto algum sal das lágrimas que correm na distância de nós os dois ,
misturo-lhe algum do sol que colho no teu olhar ,
acrescento-lhe a paixão pelo luar
abraço tudo num abraço só nosso…

Desmancho-me em sorrisos ,
acrescento-me olhares teus ,
misturo com palavras doces,
que em corridas loucas
saem de dentro das nossas bocas
Rolamos debaixo do céu
amamo-nos
abraçando tudo que em nós se pode abraçar
colhemos frutos silvestres um no outro
abandonando-nos
ao que esperámos e desejámos,
quisemos com toda a nossa força
(sem)tida
num amor que é só meu…
(EU)
26-03-2012
18.30h

domingo, 25 de março de 2012

Crónica de um almoço


Uma manhã fresca de Domingo ,a maravilhosa cidade de Lisboa ainda está meia adormecida ,nos passeios os pombos debicam os restos da noitada de alguém ,o trânsito circula  ainda à vontade ,no Marquês de Pombal curiosamente  quase não há carros(algo inédito).
Já na Baixa estou sentada no velho mas sempre jovem Café Nicola ,Bocage senta-se ao meu lado dando-me um piropo ,será que consigo resistir ao seu charme ?De imediato recita para mim um soneto de amor e encantamento ,sinto-me uma priviligiada ,nem eu sei bem porquê o espanto pois já era de prever que este pinga amor não resistisse a uma mulher ,os tempos mudaram mas ,Bocage é sempre Bocage.
Na rua pressinto o movimento pedonal e automóvel aumentando à medida que a manhã vai crescendo ,está um dia maravilhoso o sol já vai alto e brilha nas águas  da fonte da Praça D . Pedro IV ,Lisboa no seu melhor  agiganta-se para os seus visitantes que a vêm namorar e que tal como Bocage me fez sentir também a vão encher de charme e convencer da sua beleza sem igual.
O café e o pastel de nata fazem-me companhia ,o Sr .Pedro ,empregado de mesa que me serviu ,anda num  corrupio de mesa em mesa solicito servindo  cada cliente .
Faz-se hora de caminhar um pouco e dentro de minutos saio para a rua  misturando-me com os transeuntes anónimos que quase madrugaram na cidade encantada aos olhos dos seus amantes .
Dirijo-me calmamente ao Metro em direcção  ao Campo Grande para apanhar a camioneta directa para Mafra onde me  esperam umas deliciosas favas com entrecosto na companhia de gente boa e encantadora ,gente REAL  e muito especial.
Entretanto já Bocage partiu do meu lado  o mítico Café Nicola ficou vazio sem a sua presença ,ainda que o seu espírito se sinta por aqui ,diria que quase consigo sentir o seu perfume pouco ortodoxo(há quantos dias Bocage não tomaria banho?)Não fora esse pequeno(grande)pormenor e a esta hora Bocage e eu…enfim!!!
Mas ,confesso não gostei da’’marca’’de perfume dele ,que se chama(distância da água)…
…Adelina divagando ao seu jeito!!!
Por isso (EU) sentada no Nicola da Praça D.Pedro IV ,escrevi e sonhei…
Que ali........estava Bocage!
(EU)
25-03-2012
09.40h

sábado, 24 de março de 2012

Conjugando o(impossível) verbo

*
Num passado mais que perfeito em que eras o meu verbo ser e o meu verbo ter nem reparavas  que  estava ali para  doar de braços e mãos  abertas  tudo que de bom havia(há) em mim.
Conjuguei o verbo ser e nas minhas conjugações impossíveis (sub)traí-te no insólito desejo que comigo trazia…
Assim…..
Olhei-me por dentro  e(p)reservei-me o direito de ajustar as realidades que não desejava mas  aceitei ,vindas das tuas mãos laças que me deixavam escapar como uma ave aprisionada que de repente encontra o seu rumo…em liberdade…
Liberta ,pronta para pensar por si ,para se querer como nunca o havia feito e para se deixar amar como jamais o fora…
São manhãs ,tardes e noites de desassossego e inquietação que não gostei de sentir e que assim mesmo enfrentei com valentia superando o passado mais que imperfeito do verbo ser e do verbo ter  escrevendo-o no presente conjuntivo do verbo ‘’AMAR’’…
(EU)
24-03-2012
00.45h

sexta-feira, 23 de março de 2012

Como um vulcão

Como um vulcão
Cada palavra silenciosa
pulsa na minha pele como lava  incandescente ,
queima-me no estômago ,
revolve-me as entranhas ,
entranha-se no entranhável ,
soa estrondosamente
como se os decibéis do silêncio
quisessem romper-me os tímpanos com a sua mudez.
Sonho-te  trespassando-me  os  sentidos ,
sinto-te rasgando-me em gemidos de lascívia
lentamente ,penetrante, cortante ,
absorves-me com o teu corpo ,
com a tua voz muda levas-me à loucura ,
e  loucamente me dou
a espaços cadentes
apenas perceptíveis pelo ondular dos lençóis de linho branco ,
enfeitados por pétalas de rosa
arrancadas uma a uma na espera de ti que é demorada.
(EU)
23-03-2012
16.30h

Confusa...



Já o dia se faz dia ainda a noite não chegou ,espero-a para a enlaçar no meu ser.
Não tenho o caminho à vista , todas as estradas estão fechadas.
Excluo-me de viver
os meus olhos  deixam de te ver,por aqui.
Afunila-se a estrada
vou na direcção oposta a ti
sinto-me fraquejar e…
Não encontro a minha âncora,
a minha guarda ,o meu poiso,
perdi ,e senti que ia perder.
Mesmo assim
deixei ir…larguei,
lúcida ,desperta ,consciente.
Ainda não sei por onde vou
mas…
Sinto que vou por aí…
ao encontro sei lá de quê.
Ao encontro de me entender…
confusa ,alheia…
complicando o que era fácil…
e…
assim mesmo…
vou….
(EU)
23-03-2012
08.00h

quarta-feira, 21 de março de 2012

Quando

Quando as palavras te chegam
partindo-te violentamente
deixa-as fluir...
elas que te visitem
amavelmente
delicadas
com a suavidade de uma voz
no teu ouvido
sussurrando...
desabafos meigos
gemidos lentos
doendo por vezes
rasgando a alma em pedaços
espalhados no chão
desalinhados
perdidos
como as palavras
que te segregam
te absorvem
te secam o ser...
(EU)
21-03-2012
15.55h

Sinto-te falta

De dia,enquanto te escuto
Jamais consigo perceber
Toda a falta que te sinto
Sempre que vejo a lua
vejo nela o teu olhar
teu caminhar a meu lado
o teu enigmático sorriso
que nunca sei descrever
talvez por isso?
por ele me fazer lembrar o luar
uma estrela cadente
que brinca comigo
cintilante
às escondidas
à apanhada
sei lá...
brinca comigo
esse olhar enigmático
que não sei descrever e que vejo na lua
caminha comigo apressado na rua...
(EU)
21-03-2012
15.40h

E.........


Se...
Quando gastares as palavras,
apenas e só me quiseres amar
nesse dia...
nesse dia...
ama-me em silêncio
leva-me contigo 
nas folhas que voam com o vento
absorve-me da boca a vida.
Leva-me os olhos em ti
as mãos guarda-as nas tuas
com força,e ânsia ,e desejo
nesse dia...
em que a luz se apagará
só por esse dia
fica comigo,até à eternidade.
Para sempre...
e o sempre será apenas...
o momento em que sou tua!
(EU)
21-03-2012
14.50h

segunda-feira, 19 de março de 2012

De mim,até ao fim...

Tocas-me...
E há tanta suavidade no teu toque.
Toco-te...
Com tanto desejo de ser-te.
Tomas-me...
No regresso que me fazes.
Tomo-te...
Nas minhas mãos como tenazes.
Prendes-me...
Nos braços em longos abraços.
Prendo-te...
Retendo-te nos meus braços.
Deixas...
Em mim sabor a mel.
Deixo...
Sôfrega,o meu sabor na tua pele.
Deambulam...
Mãos em busca um do outro.
Encontram-se...
Corpos ardentes ao rubro.
Cravas...
As unhas na palma da mão.
Arranco...
Suspiros com rouquidão.
Rendes-te...
Ao tremor da minha voz.
Rendo-me...
Ao que a noite conta de nós.
Leva-me...
No abraço louco em mim.
Ama-me...
Hoje e amanhã até ao fim...
(EU)
19-03-2012
20.15h

Pedaços (con)sentidos...


*
Pedaços (con)sentidos assim
São pedacinhos de mim
Pedaços em que me dou...
Pedacinhos em que me mostro
Onde me exponho,
Com pedaços do meu sonho
São pedaços do meu ser...
Que vos vou deixar ler
Pedacinhos do coração
(Do meu coração)
Que irá de mão em mão
Até vós...
(EU)
18-03-2012
19.09h

Estou sem ti...


::::::::::::::::::::::::::::
Ainda não te conhecia
E já te adivinhava
Chegavas em palavras até mim
Tinhas-me os sentidos
Retidos
A vontade de encontrar-te
Deixava-me inquieta e ansiosa
Muitas vezes precisei esquecer-me de mim
Para não te sentir
Na chegada que tardava
Sentia saudades
E não percebia
Porquê,nem de quê
Eras tu que me faltavas
Sempre me faltaste…
Mas…
Agora que te tenho
Continuo sem ter-te
Sem ver-te
Sem sentir-te
Estou sem ti…
(EU)
18-03-2011
15.08H

quarta-feira, 14 de março de 2012

Madrid, Lisboa....

Já em Lisboa a minha bagagem ficou ainda mais pesada...



Terminou a minha visita à Pátria de Cervantes,foi uma visita curta,mas muito boa,desfrutei mais uma vez o quanto pude de todos os momentos o melhor que sei.
Politica,Teatro,Poesia...família,luar,movimento...Madrid com uma nova perspectiva,dias passados despreocupados,nem por um momento desperdiçados,em cada minuto,cada segundo momentos surpreendentes.
Conferencia politica acerca da época da ditadura do General Franco,os presos políticos dessa época criaram um movimento entre si,à parte de ideologias partidárias com o intuito de exigirem lhes seja feita justiça na medida em que quem nessa época os torturou e a alguns ate assassinou tem hoje estatuto de herói enquanto a eles lhes é vedado até o acesso aos registos tornando-os cidadãos quase invisíveis na sociedade.
Teatro,uma peça em três actos levada a cabo num espaço alternativo criado por Álvaro Tejero,um brilhante e dinâmico homem criador de arte e outras valências,morto há cerca de um mês por atropelamento causado por uma condutora que trazia no sangue quatro vezes mais o valor de alcolemia permitido por lei,foi uma peça de teatro muito surpreendente para fazer pensar...
Poesia...encontro de poesia numa livraria também criada por Álvaro Tejero,casa cheia ,todos os lugares ocupados dentro do espaço obrigaram-nos a ficar do lado de fora da porta,debaixo da lua que estava cheia,dois oradores e o luar como testemunha...
Familia...em Guadamur visitamos a família do David,todos encantadores,este ano conheci a avó e apenas posso dizer que é uma Sra.maravilhosa...
Muito movimento,caminhar durante horas,muitas cañas com limão,tantas outras tapas,desta vez ganharam as que acompanharam as cañas em Toledo.
Chegada a visita ao seu final e já no aeroporto tive necessidade de tirar da mala 2 kilos de produtos Mercadona e assim mesmo viajo com 1 kilo  de excesso de bagagem ,negociei com a sra.do chek in e ela deixou-me passar o excesso em troca dos produtos que lhe deixei a ela(eu própria desconhecia este meu poder de argumentação,tipo mafiosa).
Espero o embarque na porta K62,são 18.15h em Portugal uma hora menos que em España,o avião levanta às 19.50h,gosto destas viagens entre Madrid e Lisboa por causa da diferença horária chegamos sempre à mesma hora que partimos.
Aterrar em Lisboa à noite é um espectáculo fabuloso,o céu estava limpo e deixou ver a cidade semelhante a um bordado de filigrana dourada...
(EU)
13-03-2012
19.00h

terça-feira, 13 de março de 2012

Quase dia...

Penteio os cabelos em ruas cheias de segredos,
desfaço a maquilhagem no espelho das águas de um rio,
retiro os restos de baton vermelho,
quase a chegar ao fim
o dia quer deitar-se...
Acolho-o no meu regaço,
conversamos,
elaboramos o próximo dia,
despenteamos o travesseiro,
fechamos os olhos
e ...
pouco a pouco vamos perdendo de nós
o estar
o ser
 e o fazer,
enrola-mo-nos em lençóis de linho branco
de calor nos confortamos,
aconchegando a voz no ouvido um do outro,
...EU.....
E O DIA!!!...
(EU)
13-03-2012
14.10h

Senso

São 11h e 20 m em Lx.uma hora mais em Madrid,vou fazer a minha última refeição por cá,espero a hora de almoço da minha filha para almoçarmos juntas e nos despedirmos...
O dia  está estupendo adivinha-se a chegada da Primavera  antecipada.Estou sentada na Praça da Independência(paseo del prado),as arvores(fetos e magnólias)com muitos anos de existência esperam que um projecto de Sisa Vieira neste local lhes dite se morrem ou se vivem...o museu Tyssem está aqui ao lado e na minha frente está o Hotel Ritz,os taxistas fora dos táxis discutem o ''sexo dos anjos'' que é o mesmo que dizer (discutem a crisis),essa mesma que está estrangulando toda a economia da Europa,ponto por ponto todos por lá passaremos(a Merkel não perdoa)...,
nas velhas árvores ouve-se um rouxinol que curiosamente não está assobiando Sevilhanas ou Flamenco,parece-me até que debita um fado só para mim,concentro-me e escuto,induzo na minha mente que o rouxinol canta neste tom para mim...
::::::::::::::::::::::::::
Leva-me aos fados
Que eu vou perder-me
Nas velhas quadras
Que parecem conhecer-me...
:::::::::::::::..
E.......
Dá-me um concelho
Que o teu bom senso
E o aconchego
Que há muito não dispenso...
E.....
:::Na minha vida
Nada dá certo......
::::::::::::::::::::....
E....
O rouxinol
Parte...
levando consigo o meu sabor a fado que por momentos me visitou.De repente levanto a cabeça e vejo uma placa na minha frente com um aviso.
           ATENCION
            ACCESO RESTRINGIDO!!
dou-me conta que ainda estou cá,onde passei os ultimos cinco dias...
então percebo que o fado do bico do rouxinol foi apenas ...só e apenas mais uma ilusão auditiva do que realidade.
As malas estão feitas,
os sonhos sonhados
Não realizados.
As despedidas...
não gosto delas
Vou só ali...
Volto já...
(EU)
13-03-2012
11.40h

Uma mulher, e a fita metrica

Quando uma mulher escreve tem que estar sempre com a fita métrica em punho para medir as palavras e colocar na sua escrita todas as cautelas para que o falso puritanismo não exerça sobre si represálias das quais não poderá mais libertar-se,ou simplesmente escreve segundo a sua inspiração e não olha mais para o que escreve.
Sendo certo que ao ser lida,se chocar com os convencionalismos mais carunchosos e bolorentos usando algum erotismo na sua escrita logo o leitor ou leitora vai criar ideias maldosas e ,se ainda acrescentar-mos a isso ser uma pessoa das relações da escritora agrava-se a ideia na cabeça cheia de preconceitos do leitor que faz o seguinte raciocínio;Ela ''a escritora''só pode escrever assim por um factor muito óbvio,ela tem de certeza um caso extra-conjugal e,ou lhe fecham as portas e não mais a lêem ou simplesmente continuam lendo com o intuito de descobrir o desenvolvimento desse''caso'' e perceberem se eventualmente ela já deu o 605 Forte ao pobre do marido para se dedicar a uma vida de mulher de outro...
Estou bem certa do que escrevo hoje aqui,pois ao comentar com pessoas  minhas conhecidas a minha escrita concluo que ela é apreciada ,sim,mas a titulo particular ou então publicamente apenas o que escrevo sobre o amor filial ou o amor dos meus netos,esquecem-se que se eu não amasse e se eu não tivesse o sentir que tenho e não vivesse situações reais de amor entre duas pessoas jamais poderia saber hoje como é o amor de mãe ou e de avó...
Ah...mas uma Sra.não deve escrever sobre relações''íntimas'' usar palavras eróticas e dizer do que lhe vai na alma para o publico leitor...é por estas mentes retrogadas que em pleno século XXI ainda se mantem a velha máxima de que ninguém é profeta na sua própria terra.
(EU)
03-03-2012
10.30h

segunda-feira, 12 de março de 2012

Oasis

Vejo-te em todas as curvas,
encontro-te em cada esquina,
invento-te...
nas pedras da calçada
esculpindo o teu olhar
em cada raio de sol,
sinto garras
nos pedaços de chão
onde rolamos
abraçados,
segredos em chama
pressupostos de vida,
desejos da alma
pendurados,
suspensos
na brida os dias
nos recordam a existência
(des)contada
nas recordações
palavras trocadas
 em silêncio,
sem que os lábios se movam,
apenas se toquem
sintam trémulos,
gelados
ausentes
na presença sentida
em cada laivo de saudade
resguardada,
protectora e dolorida
onde te miro
a espaços contidos...
partida anunciada,
intimidade dividida ,
saudade desmembrada
mascarada,desabrida...
Que machuca,
dói,
queima
como lava incandescente
escorrendo
por corpos abrasados,
resguardados,
protegidos.
enlaçados,
divididos
a espaços contidos...
Só a espaços...
Breves espaços...
(EU)
12-03-2012
19.06h

sexta-feira, 9 de março de 2012

Lisboa-Madrid

Esta minha viagem começa com uma mala com 25 kilos quando o limite são 23...
Uma garrafa de tinto Foral,outra da Casa de Santar ficaram em Lisboa,gostava tanto que me acompanhassem para um bom serão de boa conversa em boa companhia,mas...levo o Queijo de Seia,o queijo Alentejano,a broa de milho,o pão de Mafra,bolos Alentejanos ,Farinheiras para o candidato a genro,e outras coisas mais...
São 10.20h e já estamos na rota de Madrid,passei por cima da minha casa,não a vi obviamente embora vá do lado da janela,do lado esquerdo desta ave gigante,logo eu que valorizo tanto o meu lado esquerdo,desta vez vou do lado que me pertence...
_Vou com expectativa de me esvaziar até à ultima gota ,como se fosse um automóvel cujo depósito tem que ser limpo para poder encher novamente.
A minha filha espera-me e arranjou uns bons programas para fazer-mos em conjunto e outros para eu fazer sózinha.
A verdade é que estava a fazer-me falta afastar-me e introverter-me um pouco longe do lixo tóxico que me rodeia,esquecer a  crisis''não demais'',esquecer as manhãs,as noites e começar do zero,com combustível novo,mais purificado e assim poder ser mais eu,mais para mim e usufruir de mim para mim e só me dar na medida queeu quiser,quando eu quiser e tiver vontade(ser egoísta).
Deixei muito amor para trás,ontem quando fui levar a minha Vitória à cama e aconchegá-la ela disse-me;avó o teu aconchego é o melhor do mundo,e adormeceu com aquele lindo sorriso que eu amo tanto,já o Zé pediu-me para dormir ao lado dele e ficarmos toda a noite abraçadinhos,querem melhor para uma véspera de viagem,não,não podia haver melhor,garanto.vos.O dia começou novamente com aqueles belos sorrisos e o resto já está acima descrito...
E....Allaaaa Madrid que me esperam,las cañas,las tapas e porque não os churros escandalosamente molhados em chocolate Valor...
A Valor é uma marca de chocolate muito conceituada em España,existem casas de chá exclusivas da marca e é uma perdição para quem gosta de chocolate(eu gosto,mas faz-me dor de cabeça),se abusar.
Comecei a escrever este apontamento em Lisboa e terminei quando sobrevoava Cáceres em direcção a Toledo,o Comandante avisou que vamos chegar 5 minutos antes da hora prevista , em Madrid o céu está azul limpo e que a temperatura é de 15 graus(magnifico,não trouxe casacos).
Espero poder contar-vos mais acontecimentos''BONS''...
A sempre vossa...
Adelina Charneca Trindade aqui no ar,como  gosto de andar...
(EU)
07-03-2012
11.00h

quinta-feira, 8 de março de 2012

Veredicto final

(Re)nasci,e o meu nome é culpa
informei-me se seria este um nome herdado
apenas me disseram
(Re)nasceste e o teu nome é culpa,
a que te atribuíram,
a de que não te defendes-te,
a outra que não tem defesa
e até te chamas(culpa)do que não tiveste...
(Re)invento-me
Chamando-me culpa
e no meu invento escrevo(des)culpas
(Re)nascerei de novo e...
no meu(re)nascimento
não levo o meu nome para sempre,
este nome que me deram e se chama
Culpa...
(EU)
08-03-2012
22.30h

Ser(me) metade

Antes de nascer já era
Mas ,como
Se ainda não sou
Antes de amanhecer fui dia
Mas, como
Se o sol não nasceu
Antes de respirar,sentia
Mas,como se ainda não sinto
Antes de conhecer-te,sabia-te
Mas,como
Se não sei quem és
Antes de ser inteira era metade
Mas,como
Se me sinto partida ao meio
Sou apenas meia verdade
Cansada de ser nascida
Vivendo o não vivido
Sabendo-me desconhecida
Sentindo-me sem sentido.
(EU)
07-03-2012
16.45h

Trajecto em mim

Durmo com um corpo que não é meu
Alimento-me de comida que não semeei.
Bebo a vida com sede de vida
Acordo-me num dia que já passou
Sou-me um ser que já não é
Em noites de mim
sempre diferentes e tão semelhantes me sonho
nos sonhos que não são meus...
Nos dias me sinto onde não estou
Passeio-me por estradas vazias
Vivo-me morrendo em ti...
Sou um ser humano
Voo para lugar nenhum
Chego sempre na partida
Ser-me a meio
Ou ser-me inteira
Humanamente...
(EU)
07-03-2012
16.45h

domingo, 4 de março de 2012

Palavras fugid(i)as

Acabaram-se-me  as palavras ,
estou tonta de as inventar 
fugiram em todas as direcções ,
escaparam-se 
cansadas de tanto as usar ,
temo que não(me)voltem
que  se percam no destino que lhe dei…
Quem será capaz de me encontrar a palavra gasta antes de ser dita?
Quem poderá ver nas minhas palavras fugidias tudo quanto quero(preciso) dizer e depois sentir?
Palavras fugidias ,
encontradas e nunca ditas
só sonhadas 
crivadas de sinais com sentido obrigatório ,
sem escapatórias
que as resguardem de mim ,
de ti
do tanto que preciso escrever
neste silêncio 
só cortado pela respiração
cansada,na veloz caminhada
caneta que foge no papel até que a perca de vista…
A minha palavra perdida ,
terá de ser repetida…
(EU)
04-03-2012
15.05h

sábado, 3 de março de 2012

Cores

O tinteiro sem cor de onde tiro as minhas palavras
Está cheio da esperança que elas encontrem o seu retorno
E voltem a mim escritas por mão invisível
Que as liberta
E simultaneamente
Me prende 
Mão inquieta
Tinteiro sem cor
Cheio de líquido colorido
Que se espalha nas minhas vestes
Tornando-me um arco-íris
Que faz dos longos dias
Uma espera demorada
Dentro do meu ser.
(EU)
03-03-2012
22.22h

Meu poema com pernas


Escrevi um poema com pernas
E ele foge de mim
Meu pobre poema
Que não sabe amar-me
É um poema só para mim
Composto por mil palavras.
Repetidas…
às vezes divertidas.
Poema de mim
Com palavras vadias
o meu poema
Este poema…
Estende-me os braços
Caminha sózinho
Por ruas estreitas
Viaja pelo mundo
E…
Parte
poema com pernas
em silêncio…
Até quando???
(EU)
03-03-2012
17.15h

sexta-feira, 2 de março de 2012

Ser(te)

Quero(hei-de) estar na tua vida,
amanhecer ao teu lado,
sorver as partículas do ar que respiras,
desejar-te com intensidade,
dar-me com leviandade,
sermos humanamente um só...
...por debaixo das tuas pálpebras ver o nascer do sol...
desenrolar-te,
destapar-te...
roubar-te o lençol...
ser(TE) o teu café c/torradas 
um lado mais clarinhas do outro mais tostadinhas...
ser(TE)o volante do teu automóvel,
o botão do auto radio ,
a tecla do teu P.C....
queria ser(TE) ...
aqui e agora...♥
(EU)
02-03-2012
11.30h

liberta(me)de mim

Este Outono que vive em mim
Com folhas  amarelecidas
esvoaçando em direcção ao chão que piso
não me tranquiliza em nada e nem por nada
cria-me expectativas que não me  poderá satisfazer ,
física ou emocionalmente ,
apenas me confunde o ser e os (sen)tidos
atabalhoadamente ,
engana-me à descarada possuí-me e deixa-me magoada …
pergunto-lhe ;
Tu Outono
porque não partes de mim ?
não podes ver-me voar
como o fazem as tuas folhas vencidas pelo vento do tempo???
...vai, parte e liberta-me desta estação
ou afoga-me  de vez o coração
trucidando-me os sonhos as ilusões tudo o que me faz respirar e ser,
 porque não vais e das lugar a uma nova Primavera ,
aquela que há tanto tempo ando à espera?
Os  meus pés já não suportam o teu chão ,
das minhas mãos roubas-me tudo ,até o pão.
Parte de mim  viaja para bem longe,
Outono enganador que me impede de ser o amor,
 recuso-me a viver-te ,
não quero mais ter-te
nego-te a luz que me cerca
tu não subtraias mais o meu viço ,
não me beijes ,
só quero que me deixes ,
assusta-me ser beijada por um Outono sem chama sem brilho .
 Outono pálido ,fingido…
ignora-me e vai …liberta-me…
deixa-me ver outra estação
que me dê um abraço terno ,
mostra-me outro sentir e outro ser
quero trocar-te nem que seja pelo Inverno...
(EU)
02-03-2012
05.30h

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