segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

ESTOU FEITO...




Queria despir-te com as minhas gadanhas 
Sedentas do teu canastro mais que perfeito,
tirando-te peça a peça tudo a meu jeito,
deixando atónito meu gosto que não apanhas.

Queria parar a imaginação que não ganhas,
de modo que eu te sentisse sobre o leito,
para saciar o amor vivo que sobe ao peito
e não andar ao vicio com todas as manhas!

Fértil vontade de te querer tocar no peito,
mexer e remexer o teu amor – perfeito!
É coisa que a cobiça de ti me assanhas.

Ver-te despida, mais quente que as castanhas,
dá-me vontade das trincar tudo a preceito..
Mas não. Nada como. Tenho fome! Estou feito!

Joellira
( Soneto – estad’alma )
28-9-2012

sábado, 29 de dezembro de 2012

PELA POESIA




PELA POESIA

Pela poesia,
O poeta vende o seu casaco preto
Pela poesia
Vara-se o olho direito na viagem inspiradora
Pela poesia
O poeta desiste da vida terrena
Porque o mundo sem poesia
É um corpo frio sem alma
É um cego a olhar o mar, o céu e a terra
Sem sentir o que está por dentro
É um pensar desatento
É deserto de ideais
É este ar poluído
De ter e poder
E querer cada vez mais
De dar e receber
De viver a morrer

Maria Melo (em Simplesmente Poesia)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Em solidão...


Tal como a flor
que nasce expontâneamente
em solidão
eles se encontraram
seguiam ambos
numa estrada deserta de gente interessante,
quando se encontraram
carentes de tudo e...
julgaram ter entrado no paraíso
nunca pensaram
que à distância e...
na distância
o amor também pode ganhar raízes e...
quiçá fazê-las vingar
como semente que se deita na terra  e...
devagar vai ganhando o seu espaço e ...
no seu corpo de semente
cresce devagar quase sem alimento
o que encontra?
espaços frios
palavras que não têm som e...
que assim mesmo sabem tão bem
preenchem o espaço vazio
de dois seres
que seguiam sozinhos
pela estrada deserta da vida
estrada como a da flor
(Amor perfeito)
que nasceu fora de tempo
e  do espaço natural!
Adelina Charneca


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Tenho saudades



Muitas saudades do tempo em que todos os dias nos falávamos,
naquele tempo em que ainda nem nos sentíamos,
em que eramos só uma imagem que se movimenta em sonhos,
nesse tempo em que ainda não te amava
tinha-te quase sempre ali,
ao alcance da mão,
todos os dias um bom dia,
todos os dias um desabafo...
assim me foste ganhando,
e  te ganhei...
...quando escrevo-ganhar-?
Quero dizer...
Ganhaste-me o coração
Ganhaste-me a atitude e a postura
Ganhaste-me em toda a minha figura
Vá-se lá saber porquê...
Eu não sei...
Não me consigo explicar
Não te consigo explicar
Mas também não te posso esconder
Não quero e não devo
...não sei se daí vem um sentimento semelhante
Mas...venha o que vier
Só posso aceitá-lo de bom grado
Só posso acolhê-lo dentro de mim
Dentro do meu vazio
Que foi totalmente
Preenchido por ti
Adelina Charneca

domingo, 16 de dezembro de 2012

No espaço...sem espaço!



Do escuro que a janela me mostra
Surge o teu rosto
Desafiando-me a segui-lo
Não vejo por onde?
Mas...
O desafio está estampado no escuro da janela
Onde de repente julgo ver  o teu rosto...
Sorrindo para mim
Com sorrisos de esperança
Com vontade de me fazer brilhar os olhos
Com vontade de me restituir a vontade de viver
No teu rosto(no escuro da janela)vejo a esperança
Nas tuas palavras leio apenas o que ensejo
E...
na tua voz...
...na tua voz
escuto apenas o silêncio.
Deixa que o escuro da janela te leve para longe
ele não me trás nem uma luz por ténue que seja
o escuro que avisto da janela
e que me lembra o teu rosto
É  escuro demais para mim!
Adelina Charneca

Alguém me diz?




...com emoção paro para pensar
também é só com emoção que eu sei amar
é com emoções que escrevo e desperto atenções
sem emoção de nada vale a vida
sem amor nenhum valor tem respirar
sem emoção como se poderá amar?
ALGÉM ME DIZ?
Adelina Charneca *

Como ir?



...onde me levarão os meus passos...
até onde me leva o meu querer...
para onde vai o meu pensamento...
como posso desejar estar longe...
quando tenho que estar perto...
como devo chegar ao que quero...
como saber se acertar...
como saber onde me vai levar ...
como saber,sem saber...
sem alcançar o cume ,
sem subir a montanha...
como saber sem ver a luz...
como ir sem o abraço,
sem o ombro,
como ir só?
Adelina Charneca *

...arritmias e outras acelerações!


...após algumas arritmias...
algumas acelerações cardíacas ...
alguns arrepios na pele...
e até algumas lágrimas de saudade...
após tudo isso e tudo isso após...
(meu amor,descobri o motivo de tais afrontamentos)
...AMO-TE
Adelina Charneca *

ESCREVI...



...escrevi''hoje''...
lembrei-me de ti...
escrevi''foge''...
lembrei-me de ti...
escrevi''certeza''...
lembrei-me de ti...
escrevi''tristeza''...
lembrei-me de ti...
escrevi''saudade''...
lembrei-me de ti...
escrevi''felicidade''...
lembrei-me de ti...
escrevi''lágrima''...
lembrei-me de ti...
escrevi''pena''...
lembrei-me de ti...
escrevi''mentira''...
lembrei-me de ti...
escrevi''amor''...
lembrei-me de ti...
mas também escrevi''DOR''e...
lembrei-me de ti ...
''PREFIRO''...
não me lembrar...
nem mais um pouco''DE TI''...
Adelina Charneca *

É Natal...onde?


É Natal?
Onde...
Para quem dorme numa caixa de cartão?
Para quem perdeu o emprego?
Para quem perdeu a sua casa?
Para quem não tem um presente para seus filhos?
É Natal para os maltratados pela vida?
Para os animais abandonados?
É Natal...
Dizem
os que ainda lhes resta algo
tal como a casa o emprego ou alguma dignidade
É Natal...
Dizem
os indiferentes,os cegos(do sentir)
É Natal...
Dizem
Mas...se aboliram já tantos feriados e dias santos
porque não abolir o Dia de Natal?
em solidariedade com os que tudo tinham(ou quase tudo),
Porque não abolir?
Pelo menos dos nosso corações?
E...
em solidariedade com todos comer apenas Batatas com hortaliça e bacalhau?
Porquê?
Porquê,não esquecer os frugais cozinhados?
E fazer um pequenino Natal apenas?
..............................................
Para mim sê-lo-à assim...um pequeno Natal,muito pequenino mesmo...na minha cabeça está presente a imagem da minha última ida a Lisboa...na minha cabeça e no meu coração.
A minha árvore será sem brilho,como no ano passado,terá luzes ,porque bem precisamos de luz...mas sem brilho,como a vida de muitos meus semelhantes!
Adelina Charneca *

Esquecer,não quero!



Esquecer não é uma decisão que se tome na vida e se aplique logo em seguida...
Esquecer é um propósito que se atinge ou não
Esquecer até me parece ser impossível,
apenas se arrumam sentimentos
dos quais já não nos queremos lembrar com frequência em algum lugar recôndito do ser
(dizem que é o cérebro)
e se for o coração dá no mesmo...
Pode até ser numa gaveta ,
um armário...
e aí se guardam essas memórias esquecidas(não vencidas).
Para atingir esse grau de qualquer coisa que não se entende bem
(eu não)
tem que se caminhar muito caminho,
tem que se descer muito degrau,
subir muitos km de sabedoria,
muitas vezes ,existir não existindo.
Para esquecer tem que se crescer na dor...
Tem que se ser adulto no viver...
E eu...
quero ser sempre’’MENINA’’...
como tal não quero esquecer
Eu não vou esquecer
Apenas,arrumarei no melhor lugar das minhas melhores lembranças!
Adelina Charneca


Deixei-me adormecer
no desejo de te ter
esqueci o meu corpo em brasa
como ave que perde uma asa.
Esqueci o desejo
esqueci o beijo
lembro apenas que
na minha cama
o meu sonho ´
é por ti que chama.
...chama o teu nome na cama deserta
No desejo que consome
E na saudade que aperta
...aqui no coração,
onde entraste sem bater
Instalas-te a tua vida na minha
Mas...
Só quando pode ser!
Adelina Charneca


Encontrei-te
Encontramo-nos
Por acaso,
coincidência...
Mas...
O pior é que já me tinhas lido até à alma...
O pior é que já te tinha lido doçura nos olhos...
(mas...tudo isso é pior  porquê?)
Não,não
Tudo isto é do melhor...
vi-te...
coração doce
senti-te...
olhar meigo e travesso...
então e isto não é do melhor?
Porque estarei eu a escrever tantas vezes a palavra –pior-...?
Adelina Charneca

sábado, 15 de dezembro de 2012



Ah, meu amor se tu soubesses
Se soubesses ou sonhasses
O tamanho da tristeza
que me dá não estar contigo
 se tu soubesses
as vontades que me vêm
na distância que persigo.
amor não me desfaças
A vontade e a saudade
Para o amor se manter
Amor de amor
Só contigo quero amar
E só para ti hei-de viver
nos tempos em que me voltares
aos tempos em que te vou ter
em apenas um desejo
que hoje transformo num beijo.
Adelina Charneca

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A bordo de um embraer da Air Europe



Voando sobre um mar de algodão
Continuas sem me sair do pensamento
Tudo branco à minha volta
Apenas alguns laivos dourados
De sol.
As asas do pássaro gigante
oscilam para cá e para lá
não sei se é mar
não sei se é céu
sei apenas que era aqui
que gostava de ficar para sempre
neste mundo fofinho
que inspira ternura
que inspira fofura
Aiiiii...meu Deus
Que saudades  de tudo o que é fofinho!
Adelina Charneca


...perdida de beijos...
esquecida em abraços...
saciada de desejos...
dormindo em teus braços...
...assim quero estar,
por breves momentos
...pequenos instantes
que valem uma vida...
com brilho nos olhos
ternura na voz
emoção nas mãos
vontade no corpo
e...
o amor fazendo-se...
EM NÓS"
Adelina Charneca *


Na ilusão de viver
busco o brilho no olhar
na procura da vida
já me encontro de partida
segredas-me em poesias
macias...
plenas de sensualidades
alguns sentimentos
que o são na realidade
escreves vermelho
a cor da alegria
cor do sangue que corre em mim
escreves pele
como se da minha pele
me desnudasses
pensas em amor e vontade
não te recrimino
escreves a verdade
delicia,
amor,
perdição e sensualidade
Tu e eu...
Adelina Charneca

Um segredo...um olhar!



Envio-te um olhar
Conto-te um segredo
Convido-te a amar
Desafio-te à posse
Do desejo e da vontade
Dos nossos corpos
serem um...
(um em dois)
refazendo-se unidos
tão unidos,
mão na mão
vontade e desejo
tudo unido
num só beijo!
Adelina Charneca

domingo, 9 de dezembro de 2012



Sonho acordada contigo
No meu leito abandonada por ti
Desfaço-me em saudade
Choro por dentro de vontade
Parto-me de dor
Pelo teu amor
Sufoco este grito
Pelo não dito.
Refaço o baton
E ajeito o lenço
Levanto a cabeça
Não tenho outra forma
De dizer o que penso
Só desta que escrevo
Com palavras gastas
Só assim te posso dizer
O tamanho do meu sentir
O tamanho da saudade
Que  sinto de ver-te sorrir!
Adelina Charneca

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Para ti...sorriso lindo


Dava um dia da minha vida
Para beijar os teus lábios,
entrar na tua boca
instalar-me dentro de ti
Dava um dedo da minha mão
para sentir o teu abraço
Dava tudo o que há em mim
Para que  me deixasses louca
Dava um enorme laço apertado
à volta de nós os dois
(um enorme e apertado laço)
Um laço indestrutível.
Ficava aí
no quentinho do teu coração
deliciando-me com o doce dos teus olhos
Preenchendo o teu vazio
Esse vazio que só eu entendo(só eu vi)
E que se foi estendendo no tempo
Tempo em que só com almas vazias de sentido
te foste encontrando.
Voltaste a deixar de sorrir
O teu ar sério,
entristece-me
Sabes que adoro o teu sorriso!
Sorri...
nem que seja só para mim
Para aquecer os meus dias
Para me dar alegrias
Sorri .
Pois tal como diz Eugénio de Andrade(apetece ficar nu(a)dentro do teu sorriso).
Tu sabes e eu sei...
Adelina Charneca

domingo, 2 de dezembro de 2012

Hoje



...hoje
Deixei-me adormecer no desejo de te ter
Esqueci o meu corpo em brasa
Como ave que perde uma asa
Esqueci o desejo
Esqueci o beijo
Lembro apenas que na minha cama
O meu sonho é por ti que chama
...chama o teu nome na cama deserta
no desejo que consome
e na saudade que aperta
...aperta aqui no coração
Onde entraste sem bater
Instalaste a tua vida na minha
Sem saberes se podia ser...
Ou, se poderás em mim viver...
Adelina Charneca

sábado, 1 de dezembro de 2012

Michael Bolton 'All for love' (tradução)

NA ARENA ( foto ao poema por Adelina Charneca ) **






Amazona me senti,
Até querer cortar um peito,
Para poder usar o arco,
E a flecha seguir a direito.

Amazona me senti,
Da força fiz meu cavalo,
E aguerrida engoli,
Os insultos que em mim calo.

Rainha da Capadócia,
De certeira convicção,
A seta que em mim brami,
Trespassado coração,
De sentimentos despi,
Bruta fui pela razão.

E como toiro na arena, senti,
Estucadas redondas,
Do cerco que não fugi.
Ouvi também as palmas,
Do meu corpo massacrado,
E como bicho estúpido que só vê o encarnado,
Não sabia a minha força.

Hoje sei.
Da arena vivida, penas de mim,
Mera falta de certeza,
Do que fui em melhores dias.

Venham bandarilhar-me agora!
Exponham-me toda nua!
Até com musgo me cubro,
Simples pedra de rua, pisada sem culpa…
Porque existe sempre uma força abrupta,
Que nasce entre as frestas do querer,
E brota…brota,
Atrevida flor,
Que me veste até morrer.


Raquel Calvete

''PARA QUE NÃO DIGAM QUE NÃO FALEI DE POESIA'' Recordo o dia em que no mítico Teatro Tivoli se ouviram inesperadamente as pa...